Carbono Galeria

Edições contemporâneas

A Pegada Pop

A Pegada Pop

São Paulo, 11.08 ~ 26.09.2014 

 

O início do debate sobre os valores da modernidade e a crítica ao evolucionismo de seus estilos deu-se, pela primeira vez, com a Pop Art, quando caem os limites entre as linguagens e afirma-se a contaminação da arte com o cotidiano, com a indústria e a informação. Pode-se mesmo dizer que a Pop abre as portas do pós-modernismo ou do que convencionamos chamar de contemporâneo. Trata-se, portanto, de um movimento de ruptura capital com os regimes modernos e, como tal, suas ressonâncias fizeram-se sentir dali em diante, ao longo da história da arte. Sintomas permanentes da Pop são retomados em várias gerações, e parecem nortear constantemente o trabalho dos artistas ligados a seu viés objetivo e às novas sociedades.

 

A ideia da exposição “A pegada pop” foi a de mapear, por meio da produção de múltiplos, a influência da Pop norte-americana na arte contemporânea. Essa “pegada”, no entanto, e como bem diz o termo, não segue a genealogia estrita do movimento dos anos 1960, mas pontua certos padrões que se mantiveram ao longo do tempo, como a apropriação do mundo empírico, da banalidade da vida mundana e das linguagens comerciais.  Os artistas da exposição, representantes de gerações que se estendem desde os anos 60 aos dias de hoje, demonstram que essa “pegada”, longe de ter se esgotado na época da origem do movimento, continua atual e vigorosa.

 

O múltiplo, ademais, sempre foi um “gênero” revigorado e estimulado no universo pop, não apenas por identificar-se com a produção em série e a forma standard da indústria, como, justamente por isso,  evitar a atitude anacrônica e romântica que insistia na busca de uma arte eterna e ideal.  A mostra vem, portanto, firmar a validade e a permanência de uma revirada histórica, cujo fenômeno não cessa de discutir, ainda hoje, a função e o fetiche do próprio objeto artístico.

 

Ligia Canongia 

Curadora

  

Artistas participantes:

Alex Katz
Andy Warhol
Cabelo
Carlos Garaicoa
Christian Marclay
Cildo Meireles
Claudio Tozzi
Delson Uchôa
Eduardo Coimbra
Emmannuel Nassar
Gary Hume
Gustavo Speridião
Hélio Oiticica
Janaina Tschäpe
Jarbas Lopes
Jeff Koons
Los Carpinteros
Marcos Chaves 
Maria Lynch
Maria Nepomuceno
Nelson Leirner
Roberto Magalhães
Rochelle Costi

 

Clique aqui e veja as obras da exposição

 

Sobre a curadora:

 

Ligia Canongia é crítica de arte e curadora independente. Graduada em Letras e pós-graduada em História da Arte e Arquitetura pela PUC-RJ, é autora de diversos livros, dentre eles “Eduardo Sued” (Cosac Naify) “O legado dos anos 60 e 70” (Zahar), “Artur Barrio” (Modo/ Petrobras), “Anos 80: Embates de uma geração” (Barléu/ Francisco Alves) e “Anos 60 a 80 na coleção Gilberto Chateaubriand” (Barléu / Francisco Alves). Realiza trabalhos de curadoria desde a década de 1980, no Brasil e no exterior. Foi titular da coluna de arte do jornal O Globo e assessora da Fundação Nacional de Arte (Funarte), assim como integrou a equipe de curadoria do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.Nos últimos anos, assinou as retrospectivas dos artistas Waltercio Caldas, Raymundo Colares, Jac Leirner e Angelo Venosa, e de outras exposições de grande porte, como as de Miguel Rio Branco e Mario Cravo Neto. Em 2009 e 2010, foi curadora da galeria da Casa de Cultura Laura Alvim, a convite do Governo do Estado do Rio de Janeiro, onde desenvolveu um programa de dez exposições individuais subseqüentes, dentre elas, as dos artistas José Damasceno, Antonio Dias, Vik Muniz, Ernesto Neto e Luiz Zerbini.