Carbono Galeria

Edições contemporâneas

Elogios da cor

Elogios da cor

São Paulo, 11.08 ~ 13.10.2018

 

A quase totalidade dos artistas desta exposição é constituída por pintores. A proposição, no entanto, era a de que pensassem o uso da cor fora dos limites do quadro: dos pincéis, da palheta e do linho. Assim, obras em gravura, fotografia, objetos e dispositivos digitais, foram chamados a elucidar, primordialmente, a distinção da cor como questão de linguagem, como estado de vibração do visível e da anima das imagens. 


Da melancolia dos negros à paixão dos vermelhos, pensa-se a cor como indutora ou receptora de estados de espírito e de humor: a cor como sintoma ou invocação daquilo que é “vivo”. Contudo, não se trata somente de colorir um plano ou um objeto – como se fossem elementos passivos e mortos – e dotá-los de animação. O sentido seria, ao invés, enfatizar que a cor constitui, por si mesma, o próprio “aparecer” das coisas e dos humores.


Entre superfície e profundidade, entre pele e carne, ou entre placidez e folia, a cor modula-se e alterna-se, mediante os limites da eficácia expressiva das imagens. O grande colorista, afinal, saberia reconhecer que esse estar-entre seria sempre mais que a passagem de um humor a outro, seria também, e muito, a busca em perseguir a oscilação entre espaços e temporalidades. “A passagem colorida não sendo senão uma dialética indiscreta, sempre imprevisível, da aparição e do desaparecimento.”1

 

Ligia Canongia

 

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1. Didi-Huberman, Georges. La Peinture incarnée. Paris: Les Éditions de Minuit, 1985, p. 25. Tradução nossa.

 

 

 

Artistas participantes:

Antonio Malta Campos 
Carlos Nunes 
Célia Euvaldo 
Cristina Canale 
Eduardo Berliner 
Gabriela Machado
Janaína Tschäpe 
Luiz Zerbini 
Manoela Medeiros
Maria Klabin 
Sérgio Sister 
Tatiana Blass

 

 

Confira aqui as obras presentes na exposição.