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Edições contemporâneas

Georgiana Rothier

A carioca Georgiana Rothier vive em São Paulo desde 2001 e trabalha no mercado financeiro. Em 2008, entrou para o Núcleo de Arte Contemporânea do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e assim nasceu a sua paixão por arte contemporânea. Georgiana falou à Carbono sobre a sua experiência como colecionadora de arte.

 

Carbono: Por quê e como começou a colecionar?

Georgiana Rothier: Comecei a frequentar o Núcleo de Arte Contemporanea do MAM, em 2008, e no ano seguinte, meu marido também entrou. Pouco a pouco, isso foi se tornando um prazer em comum para nós dois.

 

Quando você se deu conta que tinha uma coleção de arte e que era mais do que um agrupamento de obras?

Foi de repente, de forma bastante espontânea e não programada. Comecei a me envolver, comprar e me interessar cada vez mais pelo assunto. Visitamos museus, ateliês de artistas, feiras, eventos de arte e coleções privadas, no Brasil e no exterior.

 

O que difere a forma de colecionar arte contemporânea de colecionar outras coisas?

Na Arte Contemporânea você tem a oportunidade de entender o que motivou o artista a fazer determinado trabalho e mais do que isso, você tem a oportunidade de conhecê-lo.

 

O que a arte traz para a sua vida?

Alegria, emoção, experiências...

 

Você já comprou alguma obra no impulso?

Quase todas. Os trabalhos tem que me emocionar, não compro nenhum trabalho que eu não goste.

 

Qual a obra mais simbólica da sua coleção?

Difícil dizer, mas vou citar uma obra chamada “Hino dos Vencedores”, de um artista chamado Cadu. É uma caixa de música feita com bilhetes de loteria (essa obra esteve na Bienal de São Paulo).

 

Três artistas favoritos que você acredita serem atemporais.

Julio Le Parc, Olafur Eliasson, Abraham Palatnik.

 

Três artistas que você já coleciona e gostaria de continuar colecionando “para sempre”.

Cildo Meireles, Waltércio Caldas, Odires Mlászho.

 

Como você convive com a sua coleção?

Mudo constantemente as obras de lugar, até porque preciso acomodar as novas aquisições. Eu mesmo faço esse trabalho, eu até brinco com meus amigos, “que eu que faço a curadoria da minha casa”. Nunca emprestei obras minhas para exposições e museus, mas o faria com o maior prazer!

 

Toda coleção conta a história de seu dono ou gestor. O que a sua coleção conta sobre você?

Vejo uma coleção dinâmica em constante mutação. Reflete o nosso momento atual com muitas descobertas.

 

As obras de arte contam a história da época e contexto em que foram criadas. Escolha uma obra de sua coleção e conte como você acha ela fala do seu contexto.

Temos uma obra de uma artista chamada Marine Hugonnier que são jornais alemães de diferentes dias com a notícia sobre a queda do muro de Berlim. Para nós, essa obra é histórica e marca o início de um novo século.

 

Arte é investimento. Comente.

Acho que sim! O mercado de arte tem uma dinâmica própria influenciada por vários fatores: qualidade do trabalho, disponibilidade de obras, etc.