Carbono Galeria

Edições contemporâneas

Juan Fontanive: Myxathesys

Myxathesys

São Paulo, 03.10 ~ 28.11.2014 

 

A Carbono Galeria tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual de Juan Fontanive no Brasil. Nascido em Cleveland no ano de 1977, Juan Fontanive vem de uma família de pintores. Há alguns anos, ele vive e trabalha no Brooklyn, onde fica também seu surpreendente laboratório metalúrgico. Seus trabalhos já foram expostos na Fundação Gulbenkian (Lisboa), no Kinetica Museum (Londres), na Royal Academy of Art (Londres), no New Museum (Nova York), entre outros.

 

  Cat's Eyes, 2014          

O processo criativo do artista envolve desenhos de engenharia que detalham, desde o tipo de barra, até o espaçamento utilizado, estruturando todo o projeto. Ele prevê cada peça especificando todas as posições e tempos, criando assim um storyboard da escultura. É um artesão habilidoso, mas suas ideias se encontram no Cinema Experimental dos anos 1920 e 1930. Assim como os filmes abstratos da avant-garde européia, as obras de Fontanive são caracterizadas pela ausência de uma narrativa linear, do silêncio ou pela incorporação de trilha sonora assíncrona; e diversas técnicas enfatizando linhas, cores e formatos, em vez de específicos objetos ou formas. Seu trabalho abrange o período da imagem residual e seus efeitos óticos, certamente com a intenção de agregar o papel participativo do espectador e também de provocar emoções. Explorando contrastes de cores, vibrações cromáticas, movimento contínuo, regulando a composição dos elementos no espaço, o artista se relaciona com o movimento da Optical Art. Seu trabalho utiliza a quebra da imagem visual em simples componentes em formas de linhas, cores e formas em narrativas não-lineares para inundar os sentidos.

 

   Timelines A, 2014

Native Fountain (2014) tem sua configuração definida por elementos retangulares pretos e brancos que montados organicamente determinam um fluxo que muda de forma intermitente sem se deslocar. Assim como uma  coreografia harmônica, a obra segue uma delicada sequência de movimentos nos quais movimento e forma são planejados com cuidado e ampla liberdade. No núcleo desta obra, encontra-se a “roda de Genebra”, constituída por dois componentes diferentes que simbioticamente interagem. Um se mantém em constante rotação e assim leva o outro a um intermitente movimento de rotatividade. O nome deste cativante aparelho provém de suas primeiras aplicações nos relógios de Genebra (Suíça), mas foi Jules Carpentier, que trabalhou com os irmãos Lumière e Oskar Messter, o primeiro a empregar os dispositivos de Genebra em projetores de filmes, no ano de 1896.

 

  Native Fountain, 2014       Native Fountain C, 2014  

 

Com as rodas de Genebra o artista desenvolveu sua primeira série Ornithology, da qual faz parte a obra Ornithology Ab (2014), presente na exposição.  Os beija-flores são pássaros incríveis. Eles conseguem voar sem deslocamento. Eles movem suas asas tão rapidamente que parecem flutuar no ar. Fontanive construiu uma gaiola para eles, ou melhor dizendo, uma moldura para essa ilusão. Assim como o experimento fotográfico Sallie Gardner at a Gallop, de Eadweard Muybridge, realizado em 1978, a série Ornithology de Juan Fontanive estuda a velocidade do bater das asas do beija-flor, movimento que o olho humano é incapaz de acompanhar. Beija-flores são conhecidos pelo seu voo rápido; suas poderosas asas batem tão rapidamente que produzem um zumbido. As obras de Fontanive usufruem desse zumbido dando ainda mais suporte para a ilusão. Como um flipbook, a obra Ornithology Ab é feita de uma série de desenhos de duas metades de beija-flores que variam gradualmente e que, quando as imagens são mecanicamente giradas em velocidade, o pássaro parece voar.

 

  Ornithology Ab, 2014       Vivarium A, 2014

A pesquisa de Fontanive se distingue do autômato do passado e do digital do presente, de forma que seu trabalho pretende ser indeterminado. Suas esculturas são fortuitas e não pré-determinadas. Ou melhor, são desenhadas e construídas para funcionar aleatória e harmonicamente.

 

Laura Bardier

 

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Laura Bardier (Montevideo, 1976) é curadora e consultora de arte. Atualmente, colabora com a coleção particular de Estrellita B. Brodsky, além de já ter colaborado com a de Jonathon P. Carroll. Em 2002, Laura trabalhou para a prefeitura de Napoli, no desenvolvimento do projeto do primeiro centro de arte contemporânea da cidade. O Palazzo delle Arti Napoli (PAN) foi inaugurado em 2004 e Laura trabalhou na instituição até 2008. A curadora ainda possui um MFA (Master in Fine Arts) pela Donau University (Krems, Áustria).