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Edições contemporâneas

PALAVRA-COISA

PALAVRA-COISA

São Paulo, 30.01 ~ 17.03.2018

 

A expressão “palavra-coisa” foi utilizada pelo trio de inventores da poesia concreta brasileira: Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, em uma das definições no plano-piloto para poesia concreta, que publicaram em 1958.

poesia concreta: tensão de palavras-coisa no espaço-tempo.

A tensão descrita na sentença sugere fronteiras tênues, separadas apenas por hifens que unem ainda mais os vocábulos. A proposta é que a dimensão semântica assuma a identidade e torne-se a própria “coisa em si”. 

O poema, originário da literatura, é então potencializado por um encontro de aspectos temporais, influenciados pela música, com outros espaciais, conectados sobretudo às artes visuais. 

Esta fusão semântica, sonora e plástica é o cerne do termo verbivocovisual, traduzido pelos mesmos teóricos, a partir da obra do poeta irlandês James Joyce. O conceito verbivocovisual tornou-se frequente na produção dos três poetas paulistas desde dos anos 1950. Eles criaram uma nova forma de fazer poesia explorando diferentes suportes e linguagens para formalizar seus poemas, para além do livro tradicional.

Hoje, após exatos sessenta anos da publicação do referido plano-piloto, são inúmeros os que se apropriam do conceito verbivocovisual para criação de suas obras. Alguns mais semânticos que visuais, outros mais plásticos que verbais, contudo, os poucos aqui reunidos, denominamos todos de “artista-poetas”. 

Tadeu Jungle, Walter Silveira e Fernando Laszlo possuem trabalhos que estão normalmente mais vinculados ao universo da poesia visual. Antoni Muntadas, Marcos Chaves, Almandrade e Lenora de Barros são artistas visuais estabelecidos no sistema de artes, mas que flertam constantemente com as palavras e a poesia. Arnaldo Antunes é conhecido como músico, compositor, poeta e mais recentemente artista visual que explora os limites da palavra em distintas linguagens.

A mostra PALAVRA-COISA reúne objetos, serigrafias, fotografias e instalações destes artista-poetas, que de alguma forma são herdeiros da hibridização de linguagens proposta pelos poetas concretos. 

Obras criadas especialmente para a exposição que exploram as dimensões verbais, sonoras e plásticas que unem literatura, música e artes visuais. A serialidade das propostas é ainda mais pertinente neste tipo de trabalho fronteiriço uma vez que já são recorrentes as edições múltiplas nos universos literário e musical.

A mostra cumpre ainda, em outro espaço-tempo, um dos principais objetivos almejados pelos criadores da poesia concreta; a de se criar uma “arte geral da palavra”.

Daniel Rangel

 

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1. A frase foi escrita originalmente por Augusto de Campos em “poesia concreta (manifesto)” de 1956, e dois anos após foi integrada ao “plano-piloto para a poesia concreta” de autoria dos três poetas e considerado por eles como o principal marco teórico da poesia concreta.

 

 

Artistas participantes:

Almandrade
Antoni Muntadas
Arnaldo Antunes
Fernando Laszlo
Lenora de Barros
Marcos Chaves
Tadeu Jungle
Walter Silveira

 

Confira aqui as obras presentes na exposição.

 

 

Notícias sobre a exposição:

Metrópolis (TV Cultura)

Cultura FM (entrevista com o curador Daniel Rangel)

Cultura FM (entrevista Tadeu Jugle no programa “De Volta ‘Pra’ Casa”, com Alexandre Machado)

Canal Curta!

Canal Contemporâneo

Guia Folha

SP-Arte