Carbono Galeria

Edições contemporâneas

Releituras da natureza-morta

Releituras da natureza-morta
São Paulo, 28.08 ~ 30.10.2015

 

Centrada na representação de objetos inanimados, a natureza-morta afirma-se no Renascimento holandês, mas sua característica não narrativa, imóvel e impessoal, logo a torna reconhecida como gênero essencialmente moderno. Caveiras, velas e ampulhetas, figuras que costumavam aparecer nas naturezas-mortas flamengas, são símbolos de mortalidade e já anunciavam sua relação estreita com a ideia do tempo.

Tempo congelado, imagem silenciosa e figuração banal, eis aí um breve espectro de questões que perpassam a modernidade e se infiltram em nossos dias. Na natureza-morta não importa o significado objetivo da coisa representada, que está emudecida por sua própria vulgaridade. Mesas, garrafas ou copos não produzem narrações, não carregam sentidos simbólicos intrínsecos, não têm passado. Resta, portanto, o protagonismo da pura linguagem – dos meios, das relações, da estrutura – que ali se cria. A natureza-morta, de caráter não alegórico, discreto e inerte, por princípio isenta de elementos retóricos ou míticos, impõe-se, assim, como um eterno desafio para a produção da metáfora, base estruturante de todo senso poético.  
 

Ligia Canongia
Curadora

Artistas participantes:
Alex Yudzon
Angelo Venosa
Bruno Dunley
Carlito Carvalhosa
Gabriela Machado
Iran do Espírito Santo
José Damasceno
Laura Lima
Livia Marin
Maria Nepomuceno
Vera Chaves Barcellos
Vik Muniz
Waltércio Caldas