Carlito Carvalhosa, com instalações, esculturas e pinturas, proporciona maneiras inusitadas de transitar pelos espaços da arte contemporânea.
A participação no Grupo Casa 7 marca o início da carreira do artista. Na ocasião, Carvalhosa trabalhava principalmente com a pintura. Suas pinturas daquele período eram feitas com cera, pigmentos e tinta óleo, sempre em grandes formatos. A partir dos anos 1990, o artista volta-se para a produção de trabalhos tridimensionais em gesso, porcelana e cera, além da pintura. Carvalhosa também produz instalações, que se tornaram mais presentes na obra a partir dos anos 2000. Em Regra de dois, ocupa a casa Eva Klabin, no Rio de Janeiro, com móveis suspensos por copos e luzes fluorescentes; já em A soma dos dias, apresentada na Pinacoteca de São Paulo, cria uma instalação composta de tecido, alumínio, lâmpadas e um programa de performances que contou com duas participações de Philip Glass, entre outros músicos; no Palácio da Aclamação, na Bahia, suspende uma árvore no vão principal e ocupa todo o edifício com a obra intitulada Roteiro. No espaço SOSO+, ocupa um salão comercial no centro de São Paulo com lâmpadas fluorescentes; na Casa de Cultura Laura Alvim, cria uma instalação onde convivem pinturas sobre espelho, tecido, pontaletes de madeira e trabalhos em alumínio, formando uma reflexão sobre a paisagem e a memória.
Em 2011, Carlito ocupou o segundo andar do MoMa em Nova York com a instalação sonora "Sum of Days", onde o espectador percorre um labirinto branco ao som de vários microfones presos ao teto. Cada dia um microfone "recita" um poema novo, deixando o poema do dia anterior baixo, como se fosse um sussurro. Esta imerssão num túnel arquitetonico regado a vozes nos remete a imaterialidade da passagem do tempo.
Contaram com suas obras as 2ª e 11ª edições da Bienal de Havana, a 18ª Bienal de São Paulo, as 3ª e 7ª edições da Bienal do Mercosul. Seus trabalhos estão presentes nas coleções do MAM – Museu de Arte Moderna e MAC – Museu de Arte Contemporânea, e na Pinacoteca do Estado, todos em São Paulo; no MAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e da Bahia; no Museu de Arte Contemporânea de Niterói; no Itamaraty; na coleção da Funarte; além de coleções particulares em todo o mundo. Realizou importantes mostras individuais no MAM do Rio de Janeiro, em 2006; no MAM de São Paulo e no MAM da Bahia, em 2008; no Palácio da Aclamação, em 2010; na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2010; no MAC , em São Paulo, em 2013; no Museum of Modern Art – MoMA, de Nova York, em 2011, dentre outras. Recentemente, contou com individuais em instituições nacionais e internacionais, na Bulb end, St. Moritz Art Masters, Saint Moritz, Switzerland (2012); na Shift Sonnabend Gallery, New York, USA (2012); na Sonnabend Gallery, New York, USA (2014).
De acordo com Marta Mestre, o que interessa ao artista é “a relação entre o espaço e o ato de construir. Mobilizada pelo artista, a construção é um processo de reordenação do mundo que temos pela frente, é sustentação do caos e, portanto, atividade de diferenciação em face da natureza”. E acrescenta que “percorre seu trabalho um pensamento da escultura como construção, gesto de adição e de subtração ao vazio”.