O trabalho de Gustavo Genta explora a escultura e a instalação em um processo de constante experimentação, no qual forma e material dialogam em um estilo inconfundível. Suas criações entrelaçam design industrial e abstração, compondo um sistema de signos pessoais e simbólicos. Nelas, a arquitetura e o espaço são tensionados e reconfigurados, revelando novos registros e jogos de luz e sombra que transformam a percepção do espectador. Com um método de trabalho rigoroso, Genta articula processos racionais e emocionais, equilibrando produção seriada e técnica artesanal para construir um universo visual coeso e inovador.
Formado no início dos anos 2000 pelo Centro de Design Industrial do Uruguai, Genta pertence a uma geração de designers moldada para o cenário industrializado do país. Em suas obras, retoma elementos da arte cinética e da escultura abstrata latino-americana, em ressonância com artistas como Jesús Rafael Soto e Gertrud Goldschmidt (Gego). Ao lado de seu conhecimento técnico, mantém uma pesquisa contínua sobre materiais, estruturas e comportamento da luz, resultando em esculturas “sensíveis ao seu ambiente imediato”, nas quais sombras, reflexos e deslocamentos sutis reverberam no espaço como parte de uma coreografia luminosa.
Entre as exposições individuais recentes de destaque estão “Joyería para arquitectura. Redes de luz y movimiento en el aire” no MAPI (Montevidéu, 2025), “Gaivotas” na Galeria Inox (Rio de Janeiro, 2024), “Os Limites do Controle” na Fundação Iturria (Montevidéu, 2024) e “Jogos de Percepção” no Espaço Serratosa (Montevidéu, 2021). Nos últimos anos, seu trabalho também foi apresentado em novas mostras coletivas dedicadas à escultura contemporânea e à relação entre arte, arquitetura e movimento, ampliando sua presença no circuito latino-americano.
Sua trajetória internacional inclui a seleção uruguaia para a Bienal de Pequim (2021) e o desenvolvimento de projetos de grande escala, como o “Domo Panda”, em Chengdu, China, com esculturas cinéticas monumentais. Genta integra importantes coleções públicas e privadas, entre elas o Museu Ralli (Punta del Este), as coleções Ernesto Kimelman e Sartori Rybolovleva (Montevidéu), além de manter obras em exibição permanente no World Trade Center de Montevidéu, como as esculturas Espireto e Panadero. Suas intervenções públicas e instalações reafirmam um compromisso contínuo com a investigação da forma, do material e do espaço, configurando uma obra que convida o espectador a uma experiência estética expandida, onde o objeto se transforma em relação, movimento e percepção.